quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Pobre Aline

Eu assisto a novela das oito, que começa às nove, Lei do Amor. Esta semana eu sabia que uma determinada cena iria ao ar. Sentei para assistir, mas quando a mesma começou eu simplesmente não consegui ver.

Sai da sala, fui brincar com a Marcela enquanto tudo ocorria. A fatídica cena era a que a personagem Aline, seminua no quarto do hóspede de sua família, recebia uma surra de cinto do pai por ser sexualmente ativa.

No resumo a cena é a seguinte: 

"Aline (Arianne Botelho) não perde por esperar. Ou melhor, perde muito! A começar pela compostura e a confiança do pai. Tudo porque a morena está na garagem de sua casa à espera de Gustavo (Daniel Rocha). Mas com um detalhe: ela está só de calcinha e sutiã! Virada de costas, Aline ouve a porta da garagem se abrir e diz em alto e bom som: "Sabia que você ia ficar com saudade do meu chamego, frentista! Vem, vem chamegar, vem!".
Só que quem entra não é Gustavo, e sim Misael (Tuca Andrada)! A garota se vira e o pai surta com ela: "E é assim que você quer casar com o Marcão (Paulo Lessa)?". Aline tenta se explicar, mas não adianta. Misael toma decisão drástica e começa a dar tapas na filha! "Eu devia ter feito isso há mais tempo!!!", ele diz. Não perca a cena prevista para ir ao ar nesta segunda-feira, 12/12. "

A moça foi espancada por querer transar, interessante, né? Se eu sou contra ela fazer sexo e depois ignorar completamente o parceiro, não, até que acho divertido um homem ser tratado por objeto. Se eu faria? NÃO, é lógico! Não se deve usar ninguém, seja homem ou mulher. Se eu sou a favor dela ter traído o namorado com o frentista? NÃO! Traição é abominável seja feita por homens ou por mulheres. Então o que, Nilka?

Para e pensa, se fosse um rapaz que tivesse feito o que a personagem Aline fez? Troca o nome Aline e coloca em seu lugar, por exemplo, Eduardo, e no lugar de Gustavo coloca Cíntia, Joana ou outro nome feminino qualquer. O sedutor semi nu teria levado a surra? Óbvio que não.

Somos criados e criamos na cultura de que homem tem que ser pegador, que homem tem que provar sua masculinidade, ou melhor, sua macheza trasando com tudo quanto é mulher. Hoje sou mãe e já escutei que eu deveria realizar determinadas tarefas e o Marido não, porque eu sou mãe (leia-se mulher). Nossas atividades estão  estabelecidas na exatidão de nossos gêneros.

Mulher não se toca, não descobre o próprio corpo, enquanto que os garotinhos, não. Desde bebês os meninos descobrem seus pintinhos e os manipulam, causando risadas nos pais, mas se a menina manipula sua vagina, ah, não, isso não pode. Isso é feio!

Estamos em pleno século 21 e nós mulheres somos massacradas com regras comportamentais que se analisadas remontam a idade média. Não precisa muito para algum boçal desenterrar a teoria de que a mulher nos fez perder o paraíso. Eu perco o sono com isso. Quando isso irá acabar?

Já disse ao Marido que se a Marcela quiser um carrinho para brincar, eu darei. Que vou evitar ao máximo dar a ela mini cozinha, mini tábua de passar e ferrinho, pois quero que ela brinque sem pensar que tal brincadeira é pra meninos e outra pra meninas. Não sei se conseguirei, ou se esta ideia só a fará sofrer na busca da igualdade relativa. Mas isso somente o tempo dirá.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dualidade Materna

Depois que você se torna mãe ou pai, você se torna a pessoa mais covarde do mundo e ao mesmo tempo uma assassina ou um assassino cruel e sanguinário. Explico. Depois que a Marcela nasceu eu sinto um medo enorme de morrer e não conseguir criá-la. Este medo vem do nada como também vem quando vejo notícias tristes como a do acidente de avião com o time da Chapecoense.

Eu me pergunto: Como deixar minha menina sem meus cuidados? Pela minha religião, sei que Deus nunca desampara seus filhos. Mesmo ciente disso, minha pequenez espiritual me faz temer esta situação. Dizem que a única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer, então eu rezo para Deus não me levar antes de encaminhar a Marcela no bom proceder.

O lado assassino é do mesmo viés. Por um filho os pais são capazes de morrer e de matar. A internet e os noticiários são repletos de notícias trágicas envolvendo crianças. Creio que esta violência sempre existiu, e hoje a modernidade faz com que elas cheguem mais rápido e que se espalhem também com a mesma rapidez.

Vejo algo assim e me é inevitável pensar: Se fizessem isso com minha filha, eu cortava a garganta, eu arrancava os testículos, eu queimava vivo... Eita, cadê a cristandade dessa criatura? Depois diz que é espírita "de verdade". É o mais primitivo instinto que um ser humano pode nutrir. Não sei se vem do amor, se do instinto de sobrevivência da espécie. Só sei que na minha menina ninguém toca pra machucar.

Por outro lado, a maternidade me deixou um pouco mais doce. Eu disse um pouco. Ainda sou um docinho de maracujá. Só aguenta quem gosta da dualidade doce/azedo, hora mais doce, hora mais azedo kkkk.

Também estou muito chorona. Antes eu segurava a emoção, eu dava uma de durona. Agora?! Puts, a Marcela me lança um olhar diferente, uma risada gostosa e meus olhos se enchem de lágrima. Disse a Psicóloga que estou procurando curtir cada pequeno momento desses, porque sei que não terá reprise. A Marcela está com 5 meses, está grande e cada dia mais esperta, está crescendo lindamente e essa fase em que ela gargalha com as minhas caras e bocas vai passar e eu não posso perder.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Minha paciência e a maternidade

Eu não sou paciente! Pelo contrário, perco o bom humor em estalar de dedos. Eu admiro que é bem humorado, mas rezo para que se mantenha bem longe de mim.

Não quero bancar a ruim e muito menos a Uruca. Só que estas pessoas positivas são na maioria das vezes uma enciclopédia de frases positivistas. Sabem aquelas frases feitas de livro de auto ajuda?! EU ODEIO LIVROS DE AUTO AJUDA.

E aquelas pessoas que sabem que você está de mau humor e além de ficarem de azucrinando com frases cretinas ainda te enviam vídeos/mensagens/áudios no seu celular. Minha vontade é de mandar ir a merda.

Quando eu estou de "ovo virado", "atacada das tetas", me deixa quieta no canto, vai passar. Tentar me acalmar e ficar buzinando frases de efeito dá no mesmo que tentar apagar fogo com gasolina.

E agora você me pergunta o que a maternidade tem com isso? Explico intrépido leitor. Minha filha Marcela também tem o estopim curtinho. Percebo isso quando vou amamentá-la. Ela não tem paciência para ser acomodada para depois se alimentar. Quando ela está de saco cheio de ficar em um lugar, e isso é rotina, eu lhe entrego algum brinquedo para se distrair. Ela agarra o objeto com força e esmaga em suas mãozinhas, grunhindo de raiva. Nesses momentos Marido e eu perguntamos: "A quem será que ela puxou?" kkkk

Um dia aí, o Marido disse que reza para que eu tenha mais paciência. Eu lhe disse para parar de fazer isso. Que ele está fazendo errado, pois todas as vezes que se reza pedindo paciência, Deus nos envia situações para que possamos exercitar a mesma. Deus não nos envia por sedex 10 uma seringa com 100 ml de paciência, eu já escrevi sobre isso aqui mesmo. Então não reze pedindo tal coisa a não ser que você queira um dia Infernal.

E para testar a minha tolerância, Marcela decidiu que 04 horas da manhã era uma ótima para acordar e não dormir mais, e assim fez. Para ser mais exata, ela acordou às 03:50 hs e decidiu não dormir mais. Eu me lembrei dos tempos de Rotaract, quando estava em viagem, dormindo em alojamento e era acordada por companheiros cantando: "Se eu não durmo ninguém dorme". Eu ficava de tão bom humor... SQN.

E agora, ela está dormindo e eu trabalhando. Pelo menos a casa já está limpa. Mas só vou conseguir descansar a noite, depois que ela dormir. Espero que ela não pegue a mania de acordar com as galinhas, caso contrário, o Marido terá que levá-la todos os dias para a academia. Pelo menos uma de nós duas irá.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Marcela, minha alegria

Todas as manhãs eu canto a mesma música para minha filha. Fiz uma adaptação de uma música conhecida para saudar meu bebê e o novo dia que passaremos juntas. Não sou perfeita, perco a paciência com ela e isso me mata aos poucos. Estou me esforçando.

Minha filha, apesar de ter sido desmamada, o que foi mortificante para mim, me olha de maneira apaixonada mesmo tomando mamadeira. Nas raras vezes que ela aceita o peito, eu procuro curtir cada minuto com ela no colo. Com a mãozinha direita ela segura minha mão, com a esquerda ela acaricia a lateral do meu seio ou as minhas costelas.

Eu agradeço a Deus por ter me dado um presente tão valioso. Canto outras músicas pra ela, com o coração cheio de amor, e recebo dela os seus sorrisos banguelas. A sensação de que ela poderia estar com uma mãe melhor do que eu não passou. Duvido que passe.

Porem tenho a certeza de que eu a escolhi na espiritualidade para ser minha filha. Eu fui buscar a Marcela. Quero curtir cada momento com a minha menina. Quero brincar com ela. Rezo para que demore a crescer assim como diz a música Valsa para uma menininha:

"...Fique assim meu amor sem crescer, porque o mundo é ruim, e você vai sofrer de repente uma desilusão, porque a vida somente é teu bicho papão..."

Eu te amo Marcela! Vou repetir isso a você incansavelmente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Ser mãe - depressão pós parto 2

Eu nunca me senti tão sozinha. O sentimento de que eu não conseguiria estava inato. Eu tinha que lidar com a responsabilidade de ser mãe, de ter alguém dependente de mim e a consciência de que ainda sou um indivíduo. Eu escutei que tinha que priorizar a Marcela e somente ela. Não estava sendo fácil pra mim não ter meus horários, não ter controle das coisas, não conseguir ir ao banheiro tranquilamente.

Tomar banho era meu momento mais aguardado. por mim eu tomava banho por horas. Eu amo minha filha, nunca duvidem disso, entretanto eu me perguntava se teria feito a coisa certa ter engravidado. Pensamentos sobre o que eu estaria fazendo se ela não existisse vinham a minha cabeça, e me deixavam com muita culpa. Como uma mãe pode sentir isso? Como uma mulher pode pensar uma coisa dessas? Declarar isso com todas as letras me torna a pior mãe do mundo aos meus olhos e aos olhos da sociedade.

Eu me sinto o médico e o monstro. Um momento curtindo a maternidade, na outra com vontade de deixar a Marcela deitada na cama e sair correndo para não voltar mais. E este pensamento é o mais ameno que me passa. Eu me desespero por não ter controle das coisas. Gostaria de ser mais tranquila, mais não consigo. Gostaria de me sentir segura, mas não consigo.

O tempo passou e as cólicas não passavam. Marcela já tinha completado os 3 meses e ainda chorava muito. Mas algo havia mudado. Ela estava se debatendo muito. Nos pediatras, isso, ela se consultava com 2 pediatras. Um do posto e outro particular, este era para compensar o fato de não encontrarmos o do posto para alguma emergência.

A Marcela sempre estava um pouco abaixo do peso, nada preocupante. O pediatra do posto falava: "Teta nessa menina" E eu tascava teta nela. O Pediatra particular julgou que não era o suficiente e prescreveu o tal famoso complemento. Ela teria que tomar Nan. E outro pânico se somou aos meus medos anteriores, que era a possibilidade da Marcela ser desmamada.

Eu lutei muito para meu marido não comprar mamadeira pra ela, pois tinha a possibilidade de não querer pegar mais o peito. Amamentar é sublime! É o momento mais terno e maravilhoso entre mãe e filho. Por mais que eu descreva, nenhuma palavra será o suficiente para descrever a quem não viveu esta experiência. Era a única coisa da maternidade que eu me sentia segura e agora estava ameaçada.

Questionei isso ao pediatra e ele disse que dificilmente isso ocorreria. Mesmo assim eu sai arrasada da consulta. Como é difícil você ter medo e as pessoas não compreenderem, ou pior, acharem que você está fazendo drama. Eu já escrevi isso e repito, desde que a Marcela nasceu não tem um dia que eu não tenha medo, que eu não chore.

E hoje o meu maior medo aconteceu. Meu leite parece que está em menos quantidade. Apesar de ficar com as mamas soltas para que se produza mais, eu não as sinto encher a não de manhã, depois de uma noite inteira sem amamentar a Marcela. Eu chorei muito e ainda choro. Neste final de semana, quando a situação se concretizou eu tive uma crise de choro convulsiva.

Eu me pego rezando para um milagre. Queria tanto amamentar minha filha até seu um ano, todavia, nem nos seis meses estou chegando. A ideia era dar o peito e o Nan como complemento. Hoje meus peitos são o complemento, o coadjuvante. Fico com raiva de ver ela mamando gulosamente esta porcaria da Nestlè. Sim, eu sinto inveja da mamadeira! E nesse mundo de meu Deus eu não encontro um cristão que se solidarize com a minha inconformação.

Todos dizem: é assim mesmo! Isso é comum! É até melhor... Eu não me conformo e nunca vou me conformar. Eu não cogito a ideia de deixar minha menina passar fome. Isso nunca! Que venha o tal de Nan. Mas se alguém me ensinasse algo para aumentar meu leite, eu me agarraria a esta possibilidade com fervor. Tô aceitando tudo: vitaminas, massagens, reza brava, promessa, oferenda aos orixás, chás, unguentos, o que for para sentir minha filha em meu colo se nutrindo.

Fui ao pediatra do posto ontem (19/10) e questionei, "se não existe leite fraco, por que eu não consigo nutrir minha filha?" "por que ela não ganha peso com o meu leite" A resposta foi: "muitas vezes a mãe deixa de comer algo e aí não vai nutriente pro leite" De imediato eu me lembrei da dieta que fiz para evitar as cólicas. Antes eu me sentia triste e magoada, depois dessa também me sinto culpada. Não basta toda a carga que a maternidade coloca em nossos ombros, o sentimento de culpa e erro também vem se somar ao padecer no paraíso.

(continua)


domingo, 16 de outubro de 2016

Ser mãe - depressão pós parto

Já vou avisando aos fracos de coração, se quiser ler uma narrativa romântica sobre a maternidade, por favor, vá a outro blog, pois aqui a coisa não será como se imagina. "Ser mãe é padecer no paraíso". O autor desta frase é homem com certeza, porque não imagina a dor, a solidão e as lágrimas que forjam uma mãe.

Eu acho que já comentei que ao receber a Marcela nos braços a primeira coisa que pensei foi: FUDEU. Eu não sei lidar com isso. Eu não vou dar conta. Eu não sou mãe de verdade. E agora? O que eu faço? Tem como devolver?

Eu chorei todos os dias depois que tive a minha filha. Um sentimento de impotência, de imperícia e até mesmo de incompetência se apossou de mim. Eu quase ficava paralisada de medo. Some a isso diversas histórias e lendas sobre descuido com a maternidade, temos por resultado uma depressão pós parto, mas até então eu não sabia disso.

Eu tinha tanto medo que adorava quando anoitecia e minha filha iria dormir e eu poderia me recompor emocionalmente. A única coisa que eu imaginava estar "mandando bem pra cacete" era a amamentação. Eu tinha tanto leite que estava empedrando e daí surgiu mais uma preocupação: mastite.

Um dia fui parar no hospital para aprender a me ordenhar. Isso mesmo, eu precisava me ordenhar porque a Marcela não conseguia dar conta de tanto leite e minha mama estava com febre. Nem sabonete eu passava nos bicos dos seios para não rachar. Mesmo assim, o seio direito estava machucando, e doía muito com a sucção dela, apesar disso me era prazeroso amamentá-la.

Passados 20 dias de nascida, depois de participarmos de uma reunião do Rotary meu bebê teve sua primeira crise de cólicas. Era mais uma peça para se juntar a minha doença. Ela urrava de dor e nós não sabíamos o que fazer. Fomos dormir as 4 da manhã.

Passamos a dar tudo o que nos indicavam. Funchicórea, chá de camomila, Colic Calm, Collikids etc. Sendo que o tal Colic Calm é um remédio americano que custa mais de R$ 160,00. O primeiro vidro eu ganhei de uma amiga querida. O Collikids custa em torno de R$ 60,00. Todavia todos eles são paleativos. Infelizmente só o tempo para curar.

As cólicas acontecem porque o intestino dos bebês não estão amadurecidos e após 3 meses as coisas normalizam. Você caro leitor não imagina quanta inveja eu senti das mães que diziam que seus filhos não tiveram cólicas.

De início eu me desesperava junto, depois passei a sentir raiva. Raiva de Deus, raiva da Marcela, raiva da minha vida. Eu me senti sozinha em meio ao furacão sem perspectiva de melhora. Meu marido ficava bravo comigo porque eu sempre dizia que as coisas não iriam melhorar.

Passei a fazer contagem regressiva para os três meses e intensifiquei a minha dieta. Minha menina teria cólicas, isso era fato, mas dependendo do que eu comia, as crises eram mais ou menos intensas e duradouras.

Ela chorava de dor e me olhava no fundo dos olhos, me pedindo socorro e eu nada conseguia fazer. Eu não tinha estrutura emocional para acalmar a minha filha. Minha dieta foi criticada, meus medos foram criticados e os problemas que já existiam antes do dia 13 de junho vieram a se somar com os problemas pós parto.

(continua)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Ser mãe - O parto

Ninguém nos ensina a ser mãe e por isso eu me sinta tão perdida e errônea. Nada de manuais, cursinhos ou dicas rápidas. Você pega uma informação aqui e oura lá, muitas delas você as considera bizarras e descarta, outras até que fazem sentido.

No dia 13 de junho eu ganhei este "cargo". Agora sou mãe! Já na preparação para o parto eu percebi que estava adentrando a um campo de guerra. A sonda incomodava, fazia frio, fui para a sala de parto andando, segurando a bolsa de urina. Fiz pose de quem estava com uma bolsa de grife e não um saco de mijo, fazer o que? Para piorar eu usava aquele modelito totalmente aberto atrás.

A sala era mais fria ainda. O médico-gato pediu para colocar música, tive ímpetos de dizer: "Desde que não seja sertanejo ou funk, tudo bem doutor!". Aceitei, afinal, era constrangedor estar sentada na maca de cirurgia, assistindo a todo o preparativo e de bunda de fora. Primeira música que tocou foi Freddie Mercury e Montserrat Caballe, How can I go on. Amei! Eu me atrevi a cantarolar uns trechos.

Como é horrível a anestesia na coluna! Sim, meu parto normal foi cancelado por motivos físicos. Após estar anestesiada a sensação que tive era que alguém gordo havia sentado no meu peito. Eu simplesmente não conseguia respirar. O anestesista disse que a sensação ruim sumiria assim que o bebê nascesse. Foi verdade.

Pude ouvir o choro forte de Marcela. Mesmo quando a levaram para as devidas medições e para lhe agasalhar, bem lá longe, eu consegui ouvir ela chorando. Pensei comigo mesma, que garganta. O segundo pensamento foi, como eu conseguirei aguentar este choro tão dolorido sem chorar junto?

Já no quarto, devidamente orientada a não levantar a cabeça, aguardei a vinda do meu bem mais precioso. Na primeira noite ela dormiu comigo, eu não dormi. De um em um minuto eu colocava o dedo indicador embaixo do nariz dela, para ver se ela estava respirando. Creio que toda mãe faz isso.

Na segunda noite eu conheci o desespero. Marcela não parou de chorar. Ela quis mamar a noite toda. Só se acalmava no meu peito. E eu dormindo sentada só pensava que alguém poderia me acudir, pois para mim ela estava com algum problema, fora o medo de acabar dormindo e derrubando-a no chão. A noite foi tensa.

Depois de muitas horas, o Marido me lembrou que não havíamos trocado a fralda dela. Ele alega que ela parou de chorar quando foi limpa. Eu não me lembro disso. Mas como estava duas noites viradas, minha percepção não era confiável. Eu simplesmente deixei minha filha cagada! Este foi o primeiro sentimento de que sou uma mãe horrível. Sabe a propaganda da Claro que está passando na televisão!? Então: "Nilka, a pior mãe de todos os tempos..." E esta sensação está em mim até hoje e creio que não vai sair nunca.

Passado isso, uma enfermeira, ou auxiliar, não sei, entrou no quarto um dado momento e disse que eu teria que acordar a Marcela de 03 em 03 horas, caso contrário ela teria hipoglicemia e desmaiaria. Eu me desesperei, como assim? Acordar de qualquer jeito?!! Como se faz isso? Cadê o manual dessa criança??

Eu sou mãe de primeira viagem. Tudo bem que estou velha, mas eu não sei dessas coisas. Eu comecei a chorar. Tive vontade de gritar minha mãe. Para minha alegria, outras profissionais vieram dar a mesma informação sobre as mamadas, mas nada de me ajudar a acordar minha filha. Uma disse para eu tirar a roupinha dela, ou apertar seu pezinho, que ela acordaria. Uma outra me disse que a segunda noite após o nascimento é a pior de todas. Ela disse isso no dia seguinte à noite fatídica!. Por que não me disseram isso antes? Não sei. Eu teria me preparado psicologicamente, pelo menos.

Tomar banho com um corte na barriga é terrível. Parece que a qualquer momento seu útero e tudo o mais vão cair no chão igual a escapamento frouxo de carro velho. Para piorar eu comecei a tossir, e por estar amamentando, nada poderia tomar a não ser mel e fazer inalação. Eu queria ir pra casa! Mesmo que eu apanhasse mais ainda com minha falta de trato de conhecimentos maternos, seria melhor estar no meu ambiente.

E isso era só o começo (To be continued)


terça-feira, 19 de abril de 2016

Para: Querida Dilma Roussef

Estou constrangida e com medo. Começo a desejar que Dilma não saia da Presidência. OHHH! Você é a favor da roubalheira? Não! Você acredita que o PT é bom ou a solução? Também não. Sei que minhas respostas parecem incoerentes, entretanto, eu volto o olhar para os que a estão julgando.

Faz tempo que estou lendo carinhosamente as postagens dos amigos contra o Impedimento, como também leio quem está a favor. Desculpem, quem é contra tem muito mais base argumentativa do que o outro grupo.

Outra coisa que me intriga é a pergunta que reverbera em mim: Até que ponto não somos massa de manobra? Até quanto a mídia não deturpa as informações?! Você, intrépido leitor, lembra dos áudios do Lula que vazaram? Isso foi tão oportuno, tão conveniente. Insuflar a opinião pública contra, fazer do juiz Moro um herói, tudo me parece um enredo de novela mau escrita e feita para agradar um público debiloide, pronto, falei.

Vou repetir, eu não acho a Dilma uma santa, nem que ela estava cega diante dos acontecimentos. Mas eu pergunto: Lula estava? Fernando Henrique estava? e os presidentes antes desses estavam? A renovação tem que ser TOTAL e INTEGRAL. O Brasil não acordou na prosperidade.

E o que mais me irrita são os ataques a mulher e não ao presidente. Será que se fosse presidente com "bagos" entre as pernas, ele seria tão humilhado assim? Bolsonaro, este asco político, enaltece o torturador de Dilma. Aquele que a torturou da maneira mais dolorosa e humilhante, e ainda tem boçal que aplaude isso. Que publica no Facebook que se o torturador fosse "bom" teria assassinado ela na época da ditadura.

MEU DEUS DO CÉU!!!! Onde está o sentimento cristão?? E ainda argumentam que ela foi bandida, que isso justifica ser estuprada, amarrada, justifica levar choques elétrico na vagina e nos seios. Imagino qual foi a dor em ouvir isso. Minha vontade é de abraçar esta mulher, só isso.

Se este senhor disse isso para ganhar notoriedade. Parabéns, conseguiu. Depois dessa declaração infame, o que mais se pede nas redes sociais é a cassação do mandato do Jean Willys, por ter cuspido nele. Diga-me se não estamos em tempos de deturpação de valores?

Nada, absolutamente nada e nem ninguém, nem o mais odioso dos criminosos merecem ser torturados, em hipótese alguma, NUNCA. Nem este Bolsonaro merece, nem o Cunha merece, nem o anjo de candura Fernandinho Beira Mar merece. Vamos rever os valores, por tudo o que é mais sagrado.

E agora nos resta ver quais políticos honestos vão julgar a presidente da República. Que atire a primeira pedra quem tem ficha limpa. Até mais. Boa noite.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Um pouco de Marcela

Meu bebê fez minha alegria hoje. Logo após o almoço eu deitei com o barrigão pra cima e as pernas erguidas nos travesseiros. Depois que eu torci o pé, mesmo usando meias Kendal, ele dói e incha muito. Tranquila, deitada, Marcela começou a se mexer. Acho que ela não gosta que eu deite de barriga pra cima.

Quanto mais ela mexia e revolvia, mais eu ria. É uma situação única, estranha e bela. Sei que muitos irão me criticar pela comparação, mas não me levem a mal, me julguem com humor, mesmo que ácido.

Eu assisti quando mais jovem o filme Alien, o oitavo passageiro. Quando eu nem pensava em ser mãe eu achava muito estranho um bebê mexendo na barriga. E quando eu ouvia que eles deixavam a barriga torta? Era um misto de susto e estranheza. Hoje, a minha meio torta me faz rir.

Marcela, mamãe te ama muito, mas não vou te poupar. Você é a minha pequena Alien, a terceira passageira kkkkk Se bem que, se eu contar os seus irmãos felinos, você será a sétima nessa nave kkkk Venha logo pro mundo aqui de fora, fazer a felicidade de seu pai e a minha. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

EU SOU RICA, RIIICCAAAAAA

Segunda-feira é um dia zicado pra mim. Eu sempre estou mal às segundas e creio que já falei disso aqui neste blog. Fico chateada comigo mesma, fico brava, vejo o quanto de coisas eu deveria ter feito na minha vida e não fiz. Enfim, é um mau dia!

E o que o Marido faz quando estou de péssimo humor?! Independente de dia da semana, quando estou com a cara amarrada, ele simplesmente faz tudo para me irritar, seja de maneira consciente ou inconsciente. Ele faz piada sem graça, ele derrama coisas pela casa, ele faz trocadilhos infames e fica me olhando fazendo careta, só para demonstrar o quão feia está minha cara. Ao invés dele se manter a uma distância segura, sem nada dizer, apenas arremessando pedaços de chocolate, não!! Ele tem que tentar fazer algo para melhorar o meu humor, o que acaba piorando.

Mas nesta segunda eu estava afim de esganar um, eu estava com sangue no "zóio" que nem uma barra de Suflair seria capaz de me controlar. Meu celular toca, DDD estranho e eu penso: "É você que vai morrer hoje, infeliz!" Se for cliente vou engolir o fel da alma e colocar açúcar na voz, pois o coitado não merece meu mau humor! Já basta o perrengue jurídico em sua vida.

Um homem com um forte sotaque me diz que a Vivo havia contemplado o meu celular com o prêmio de R$ 10.000,00. Só respondi: "Sei". O atendente todo feliz me pediu quando e quanto eu havia pago na minha última fatura, limitei a dizer: "Ué, você não é da Vivo? Seu sistema tem isso". E ele: "Sei disso senhora, mas esta ligação está sendo gravada e precisamos que a sua voz diga estas informações para registro". Informei o que ele queria só pra ver até onde ele iria.

Ele me perguntou se eu estava feliz com o prêmio. Respondi: "Estou", mas foi um "estou" tão, tão seco, que se ele tivesse me perguntado se eu estava feliz com uma lobotomia, a minha resposta teria sido mais emotiva. Ele continuou, dizendo que  o dinheiro ganho não me faria uma milionária, mas que com certeza me ajudaria e muito "não é senhora Nilcéa?". Eu: "Com certeza" (a lobotomia é mais emocional).

Todavia, para garfar a bolada eu teria que ir até a agência mais próxima onde tenho conta e sem desligar o celular, tirar o extrato da mesma e falar com o superior do atendente que falaria comigo de Brasília. Nossa, não pensei em lugar pior para este superior estar. Perguntei por que não poderia desligar e outras coisas e tive a maravilhosa resposta: "Eu posso ver a desconfiança em seu olhar, D. Nilcéa (...)". Depois de uma dessas não tinha como prestar atenção em mais nada que aquela criatura me dizia.

Ele continuou com o discurso, revisou o que eu tinha que fazer e eu perdi as estribeiras de vez. Eu lhe disse: "Você está me achando com cara de otária!? O que mais você vai me dizer? Que eu terei que depositar uma quantia para receber estes 10.000?" E ele: "A senhora magoa meu coração falando assim. Eu falei em algum momento em pagar algo? (...).

E fiquei com tanta raiva, mas tanta raiva, que se este cidadão estivesse a minha frente, eu o teria atacado como um leão ataca sua presa, SEM MISERICÓRDIA! Fiquei tão irritada que fiz uma das coisas que ele disse que eu não poderia, apertei o botãozinho vermelho. Vá pregar estelionato em outra, seu malacabado. Liguei na Vivo e denunciei o número de celular. Soube que outras pessoas relataram o mesmo golpe vindo da mesma linha, e a a empresa iria cancelar a linha. Pelo menos este infeliz terá que pegar outro número.

Fiquem atentos, o número que tentou me dar um golpe é (85) 98161-0801! E tenham sempre em mente que a Vivo não dá nada assim tão fácil, ainda mais dinheiro!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Legalização do aborto

Outro dia eu li a reportagem do médico Drauzio Varella. Nela, ele aparentemente pede a legalização do aborto no Brasil. A mesma pode ser lida aqui:

http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/ciencia/2016/02/02/aborto-ja-e-livre-no-brasil-proibir-e-punir-quem-nao-tem-dinheiro-diz-drauzio-varella.htm

De início fiquei um pouco chocada. Eu sou contra o aborto e isso não é porque estou grávida, eu sempre pensei assim. Mas depois que eu li o que ele escreveu, eu entendi e até me coloquei em análise do caso concreto. São palavras do médico: " O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia.

Quantas clínicas de luxo não devem existir neste país que fazem abortos para as famílias abastadas?. Quem não tem dinheiro se sujeita a arriscar a vida em lugares ruins, os abortos são feitos e pronto. Essa discussão está novamente na pauta social por causa dos alarmantes casos de microcefalia.

Eu pergunto: é uma sentença de sofrimento ter uma criança assim? Eu estou com medo, mas muito medo que meu filho ou filha venha a ter alguma má formação, problema de saúde ou complicações, mas daí não lhe negar o direito de reencarnar?!

Eu entendi o que o Varella quis dizer. Ele defendeu a legalização do que já é comumente praticado no Brasil. Por isso ele fala em hipocrisia. Somos um país hipócrita! A mulher que sai nua no carnaval é bonito, enquanto que a mãe que amamenta seu filho é indecoroso, vai entender.

Para que esta ideia seja assumida, há que se ter uma noção se a legalização não tornaria e extirpação de crianças uma rotina. Enquanto isso, eu, na minha pequenez e raciocinando sob o cerne da minha religião, continuo contra o Aborto.   

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Meu querido Bebê

Vou te chamar assim porque ainda não sei se você é menina ou menino. Para não ter que usar os dois pronomes (ele/ela) este me parece o adequado sem identificação de gênero. Escrevo este texto para lhe desejar boas vindas ao mundo. Mas já vou te antecipar, o planeta Terra é um planeta de Provas e Expiações, entretanto, Deus é tão bom e justo que, encobre nossas lembranças dolorosas e crimes cometidos em outras vidas com o véu do esquecimento.

Espero enormemente que sejamos amigos de outras vidas, apesar de que se fomos comparsas também vale. Afinal, sei que não sou flor que se cheire há muitas vidas. Creio que estou um tiquinho melhor, mas só um tiquinho.

Já vou lhe adiantar que possuo uma má fama aqui. Não se preocupe, meus defeitos não são passíveis de castigos judiciais e muito menos imorais. Sou teimosa e brava, de acordo com seu Pai. Ele fala isso como se fosse um docinho de coco. Bem, você o conhecerá e poderá avaliar melhor a "peça rara".

Quanto a mim as pessoas costumam dizer que tenho cara de brava, que pareço mau humorada e que sou difícil. Estes são os principais adjetivos. Outro que falam muito é que sou Honesta, como se isso fosse um diferencial e não obrigação da cada um.

Não sou de frescuras e minhas prioridades não são roupas, cabelos, maquiagem e sapatos. os acessórios que você verá em mim são basicamente: aliança de casada e distintivo do Rotary Club. Muitas vezes estou sem brincos, sem colar, praticamente não tenho pulseiras e morro de preguiça de me maquiar. Se você for menina terá grandes chances de ser assim também. E independente do sexo eu te farei amar os livros.

O mundo está um caos, e te peço desculpas por isso. As mesmas pessoas que me criticam são aquelas que possuem um comportamento não muito louvável. O Facebook é um antro de covardes, já antecipo. Todos ditando regras em palavras e agindo o oposto do que falam. Todos querem um mundo sem corrupção, mas apresentam atestado médico falso pra não faltar no trabalho sem desconto.

Todavia, apesar de tudo conspirar para eu não realizar o Projeto Ser Mãe, confesso que estou feliz por você estar a caminho. Sei que vamos crescer muito e nos aprender a ser uma pessoa melhor. Nesta encarnação serei responsável por sua criação e orientação. Rezo a Deus que eu consiga prestar contas a Ele com mérito... Oxalá!