quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Do pó vieste ao pó retornaste

Anteontem faleceu um tio do meu Marido, fomos ao velório e enterro. Eu não gosto nem de velórios e muito menos de enterros. Sempre evito ir apesar de soar falta de consideração. Não vou ao cemitério nem em Finados, mas vá lá, não podia fazer esta "desfeita" ao Marido.

No velório conheci algumas primas dele. A família aqui em Maracaí é grande! Uma delas disse que sou uma gata...curti esta prima. No mais foi aquilo de sempre. Próximo ao caixão a família mais condoída, e gradativamente se afastando do falecido a tristeza se diminui, até chegar a fatia dos piadistas. Eu fiquei na segunda camada.

Eu não sei porque não gosto disso, me lembro de pequena ficar intrigada com o meu primeiro velório. O corpo lá, forrado de flores como se dormisse e algo que até hoje me incomoda...as pessoas passando as mãos no falecido. Descobrem o véu, acariciam as mãos, até aí tudo mais o menos, beijam a testa, alisam o rosto, eu me incomodo. Tenho quase certeza que me tentaram fazer tocar em alguém desencarnado e tive medo disso, só pode.

Não estou aqui para criticar quem o faz, creio que a necessidade do último toque, de se prolongar mais a presença de quem já se foi, faz com que os parentes ajam assim. Entretanto quero que alguém me explique por que as pessoas chegam aos pés do caixão, tocam o corpo e fazem o sinal da cruz??? É um ritual que fazem como se fosse uma comprovação de que estiveram lá. Eu me limitei a rezar.

Na hora de fechar o ataúde, a esposa sofreu muito, sai de perto porque estava com um nó na garganta e começaria a chorar com ela. No entanto eu percebi algumas pessoas se achegando, não para socorrer ou enxugar as lágrimas, mas para ver a dor daquela mulher. Era algo meio mórbido. Eles esperavam que ela sofresse e se possível até passasse mal. Não estou exagerando, é sério! Dava pra ver quem estava ali pra consolar e quem estava para apreciar.

Acompanhamos o corpo até o cemitério a pé, pois este não fica longe do velório. Era um Sol pra cada "velante". O Marido tentava pegar carona nas sombrinhas das tias. Disse a ele para desistir porque elas são bem menores que ele, a não ser que ele segurasse a proteção. Foi o que o danado fez no campo santo, veio com uma conversinha do tipo: "estica o braço tia, quer que eu segure a sombrinha pra senhora?..." A tia era esperta e a mamata dele não durou.

Um comentário do meu Marido me pareceu estranho. Ele ressaltou que a sepultura do tio era perto da sepultura de seu pai. Que aquele fez questão de ser enterrado perto deste. Como assim? Tipo escolher a vizinhança? Ah, é mesmo! Eles são católicos! Deve ser algo em estar por ali enquanto dura o descanso antes do juízo. Bem, eu acho.

Já avisei o Marido. Nada de me velar a noite inteira e se o for fazer, deixar a roda de piada ao lado do meu "corpitcho desalmado". Quero ser cremada e nada de flores sobre mim, as coitadas não fizeram nada para morrer comigo. Taca um lençol simples e ao invés das coroas, doem o dinheiro a alguma instituição de proteção aos animais, tais como AuAu Miau. Eu não vou estar acompanhando o meu velório...a não ser que as piadas sejam boas.

Na lápide coloquem a seguinte inscrição: Fui a Colônia, volto já!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Alvará de Soltura

Neste final de semana eu estou em Presidente Prudente matando a saudades de mamãe, irmanzinha e papai. O Marido foi pra Ribeirão com os primos jogar futebol, deixou o carro comigo abastecido e alvará pra viajar, uhuuuuu.

Acordei não muito tarde, dei um jeito na casa, fiz a mala e peguei a estrada. Estava na rodovia precisamente às 09:06hs. Vim escutando as minhas músicas prediletas tais como Kamelot, Lacuna Coil e outros. Cantando feliz da vida, estrada tranquila.

Quando cheguei no posto policial de Rancharia, o que eu previ na noite anterior aconteceu. O Seu Guarda ergueu a mão e indicou a lateral da estrada para mim. Eu tive que encostar. Na noite anterior eu havia pensado nesta possibilidade. Eu carrego a minha carteira da OAB com a CNH. Pensei: se eu for parada pela polícia, é melhor não mostrar a OAB, ele pode pensar que estou dando carteirada nele. Quando fui parada o policial disse:
- "Senhora, o documento do carro e a habilitação, por favor"

Entreguei o documento do carro. Ele disse: "Retire do plástico, por favor" Retirei e enquanto ele via o documento eu tirei a OAB e entreguei somente a CNH. Aí ele faz a pergunta crucial: "Nilcéa (ele pronunciou meu nome certinho) a senhora sabe em que condições está o extintor?" Eu, na minha calma, apesar da emoção, pois era a minha primeira vez, respondi: "Não faço a mínima ideia, policial. Este carro é do meu marido" Respondi isso e olhei embaixo do banco do carona, local onde o extintor NÃO FICA. Perguntei se ele gostaria que eu saísse do carro para que ele averiguasse.

Ele viu. Eu me preparava para a minha primeira multa. Ele disse: "Senhora, o extintor está carregado, mas está vencido. Dessa vez tudo bem, mas faça a troca" Como eu já havia pago uma de Idiota Sem Noção, Esposa que Mal Abastece o Carro e Sai Bunita, lhe disse: "Policial, vou lhe fazer uma pergunta de quem nada entende (olha o truque feminino) o extintor que está vencido a loja troca?"

Parênteses: Homem ADORA mulher se fazendo de tola e perguntando a ele o que se deve fazer. Algo do tipo, você sabe muita mais do que eu, é meu mestre, dê-me a Luz do seu conhecimento.

Ele explicou rapidamente e foi na direção dos pneus e eu pensei, o que será que ele quer? Parou ao lado do pneu da frente, do lado do passageiro e disse: "Senhora, esterce o volante para este lado" Eu o fiz pensando, ele não caiu muito no truque esposa sem noção. Ele abaixou, olhou, olhou... Olhou pra mim e com seu sorriso metálico (ele usava aparelho fixo) disse: "Dessa vez eu vou deixar passar, o pneu tá quase!" Eu fui ver o pneu, realmente está no limite, depois simplesmente sorri e disse: "Obrigada, policial, vou avisar o meu marido sobre isso também" (eu já havia dado esta resposta antes).

Quando foi devolver a minha CNH e o documento do carro ele disse: "A senhora mora em Maracaí?" "Sim, acabei de me mudar, eu morava em Prudente", disse eu. Ele: "Ah tá eu pensei que a conhecia, eu sou de Assis!". Eu: "Não, eu me mudei a pouco tempo. Sou Prudentina, obrigada pelo aviso policial, bom trabalho. Ele: "Boa viagem". Eu não entendi essa.

Nesta hora o Marido manda SMS perguntando se já havia chego em Prudente. Affff, pracabá, respondi que tinha sido parada pela polícia e deixei no suspense pra ele ficar com receio da multa. Marido faz pagar uma de Mulher Sem Noção, merece esta pausa dramática.Continuei a viagem dando risada e depois cantando. Não peguei o nome do policial e muito menos tirei foto desse momento. Tirei a habilitação em 2008 e nunca havia sido parada. Tive que me conter para não pedir pra tirar uma fotozinha e postar no Facebook rsrsrsr.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Diário de Mulher Casada - Episódio 03 - Lua de Mel

Nem adianta vir ler este na esperança de relatos picantes, sexys ou de duplo sentido, volta pro Face, tarado! Bem, continuando, amor meu e eu passamos nossa Lua de Mel em Aracaju. Digo que foi Lua de Mel porque no dia 08 de Dezembro de 2013 eu deixei a casa de mamãe... chorando. Por isso a viagem de final de ano teve esta especialidade.

A cidade é linda! A praia uma delícia. Mas, tem sempre um mas, não existe uma lixeira sequer ao longo da mesma. Encontrei sacos plásticos, fralda descartáveis e até vidro de água oxigenada! Eita mulherada, por que não descolorem em casa estes pelos?! Outra situação estranha foi os pontos de ônibus, eu não vi nenhuma cobertura para proteger os pobres usuários do transporte público, acreditam!  E naquela terra o Sol arde muito!

Meu Marido era avesso a tomar Sol, eu também sou, por isso íamos a praia no final do dia. Mas uma coisa que me deixou doida foi o fato dele me fazer "camelar" naquela cidade a procura de restaurante. Teve um que eu andei tanto, mas tanto que fiquei com a marca ridícula do short. Quando descobri onde ela queria ir e que faltava quilômetros, dei meia volta e larguei o Marido.

Tá, isso não é coisa que se faça, mas eu não estava aguentando mais. No dia anterior ele me arrastou para o comércio, algo do tipo calçadão repleto de gente, cheiro de urina, Sol de derreter. Ele queria rocar a pilha do relógio. Uma dama na porta de um bar cuspiu no chão e quase acertou meus pés, quanta finesa!

Voltando a busca por comida, deixo uma dica: nunca comam em restaurantes, prestigiem as barracas! Entramos em outro restaurante e eu deixei claro que se os preços fossem altos eu simplesmente levantaria e iria embora. Ele não quis. Pediu uma garrafa de cerveja, comemos e quando veio a conta, o susto. Sabem quanto custou a cerveja filha única que tomamos? R$ 10,80.

Quase 11 contos! eu tive ímpetos de gritar: "Garçom, traga a minha Puta, agora!" Não, porque de acordo com meu simplório conhecimento, que se baseia apenas em dedução, cerveja a este valor só em Puteiro! Eu queria a minha Puta rebolando sobre a mesa na minha cara. Disse isso ao Marido e ele concordou, acho que ele deve saber mais sobre a tabela de estabelecimentos libidinosos e afins, pelo simples fato de ser homem. Será? Vamos acreditar.

Comprei presentes, engordei, ganhei presente do Amor-Marido. E como tudo o que é bom dura pouco, voltamos a nossa realidade sem Mar.