Hoje sai do meu compromisso religioso e corri para o Matarazzo, pois enfim veria o famoso Carlos Canhameiro. Ele foi orientador do Projeto Ademar Guerra para Os Bárbaros Cia de Teatro, do qual faço parte (infelizmente não pude fazer parte do projeto). O Jú fala muito bem dele, aliás, todos falam, então, mas que natural a minha vontade em assisti-lo.
A peça chama Ver [ ] Ter e a companhia se chama Cia. Lês Commediens Tropicales (São Paulo). Os atores e atrizes percorrem espaços diferentes com a platéia ora seguindo-os, ora antecipando-os para não perder nenhum momento.
Aí, meu singelo leitor, você me perguntará: “Gostou da peça?” E eu lhe respondo: “EU ODIEI! ODIEI COM TODO ÂMAGO DO MEU SER RESTRITO E TACANHO!”
Sem um diálogo, retidão de raciocínio alguma... Música boa, elasticidade (que me falta): 10.
Tiveram momentos que me perguntei se eles estavam se importando com o público porque os espaços não permitiam a visualização, em outros momentos eu me perguntei se eles estavam representando mesmo, porque fiquei atenta aos que não estavam, digamos, em cena, e eles pareciam conversar e não estar nem aí.
Eu me senti tão limitada, tão irritada que pensei por inúmeras vezes em ir embora. Se eu não acompanhasse mais, se eu fosse até o carro e fosse embora, será que o Júnior ficaria desapontado comigo? Mas por mais que eu comprovasse meu total ódio por aquele texto/representação eu simplesmente não consegui ir. Eu não fui capaz de sair dali como cogitei desde os primeiros 10 minutos de encenação.
Em dado momento (piscina) eu conclui que se não soubesse que o Carlos (Pezão rsrsrs) é do Projeto Ademar Guerra, um ator de verdade e não como eu, eu teria gritado pro povo que estava lá. “Bora minha gente que isto é 171!”
Assisti a tudo e posso dizer com toda a convicção: EU AMEI ODIAR AQUILO! Se eu indico? Com certeza! Vá! Permita-se fugir do lugar comum, do pré-determinado, do já moldado. Vá treinar todo seu ódio do coração, eu garanto que é bem melhor que a vingancinha patética da novela das nove. Por fim aos atores: Continuem, andem, andem sobre a linha férrea, uma parte um dia chega a Sampa e a outra em Pres. Epitácio. Vão com Deus ou com o Diabo. E tenho dito!
