quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Dualidade Materna

Depois que você se torna mãe ou pai, você se torna a pessoa mais covarde do mundo e ao mesmo tempo uma assassina ou um assassino cruel e sanguinário. Explico. Depois que a Marcela nasceu eu sinto um medo enorme de morrer e não conseguir criá-la. Este medo vem do nada como também vem quando vejo notícias tristes como a do acidente de avião com o time da Chapecoense.

Eu me pergunto: Como deixar minha menina sem meus cuidados? Pela minha religião, sei que Deus nunca desampara seus filhos. Mesmo ciente disso, minha pequenez espiritual me faz temer esta situação. Dizem que a única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer, então eu rezo para Deus não me levar antes de encaminhar a Marcela no bom proceder.

O lado assassino é do mesmo viés. Por um filho os pais são capazes de morrer e de matar. A internet e os noticiários são repletos de notícias trágicas envolvendo crianças. Creio que esta violência sempre existiu, e hoje a modernidade faz com que elas cheguem mais rápido e que se espalhem também com a mesma rapidez.

Vejo algo assim e me é inevitável pensar: Se fizessem isso com minha filha, eu cortava a garganta, eu arrancava os testículos, eu queimava vivo... Eita, cadê a cristandade dessa criatura? Depois diz que é espírita "de verdade". É o mais primitivo instinto que um ser humano pode nutrir. Não sei se vem do amor, se do instinto de sobrevivência da espécie. Só sei que na minha menina ninguém toca pra machucar.

Por outro lado, a maternidade me deixou um pouco mais doce. Eu disse um pouco. Ainda sou um docinho de maracujá. Só aguenta quem gosta da dualidade doce/azedo, hora mais doce, hora mais azedo kkkk.

Também estou muito chorona. Antes eu segurava a emoção, eu dava uma de durona. Agora?! Puts, a Marcela me lança um olhar diferente, uma risada gostosa e meus olhos se enchem de lágrima. Disse a Psicóloga que estou procurando curtir cada pequeno momento desses, porque sei que não terá reprise. A Marcela está com 5 meses, está grande e cada dia mais esperta, está crescendo lindamente e essa fase em que ela gargalha com as minhas caras e bocas vai passar e eu não posso perder.

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