quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Pobre Aline

Eu assisto a novela das oito, que começa às nove, Lei do Amor. Esta semana eu sabia que uma determinada cena iria ao ar. Sentei para assistir, mas quando a mesma começou eu simplesmente não consegui ver.

Sai da sala, fui brincar com a Marcela enquanto tudo ocorria. A fatídica cena era a que a personagem Aline, seminua no quarto do hóspede de sua família, recebia uma surra de cinto do pai por ser sexualmente ativa.

No resumo a cena é a seguinte: 

"Aline (Arianne Botelho) não perde por esperar. Ou melhor, perde muito! A começar pela compostura e a confiança do pai. Tudo porque a morena está na garagem de sua casa à espera de Gustavo (Daniel Rocha). Mas com um detalhe: ela está só de calcinha e sutiã! Virada de costas, Aline ouve a porta da garagem se abrir e diz em alto e bom som: "Sabia que você ia ficar com saudade do meu chamego, frentista! Vem, vem chamegar, vem!".
Só que quem entra não é Gustavo, e sim Misael (Tuca Andrada)! A garota se vira e o pai surta com ela: "E é assim que você quer casar com o Marcão (Paulo Lessa)?". Aline tenta se explicar, mas não adianta. Misael toma decisão drástica e começa a dar tapas na filha! "Eu devia ter feito isso há mais tempo!!!", ele diz. Não perca a cena prevista para ir ao ar nesta segunda-feira, 12/12. "

A moça foi espancada por querer transar, interessante, né? Se eu sou contra ela fazer sexo e depois ignorar completamente o parceiro, não, até que acho divertido um homem ser tratado por objeto. Se eu faria? NÃO, é lógico! Não se deve usar ninguém, seja homem ou mulher. Se eu sou a favor dela ter traído o namorado com o frentista? NÃO! Traição é abominável seja feita por homens ou por mulheres. Então o que, Nilka?

Para e pensa, se fosse um rapaz que tivesse feito o que a personagem Aline fez? Troca o nome Aline e coloca em seu lugar, por exemplo, Eduardo, e no lugar de Gustavo coloca Cíntia, Joana ou outro nome feminino qualquer. O sedutor semi nu teria levado a surra? Óbvio que não.

Somos criados e criamos na cultura de que homem tem que ser pegador, que homem tem que provar sua masculinidade, ou melhor, sua macheza trasando com tudo quanto é mulher. Hoje sou mãe e já escutei que eu deveria realizar determinadas tarefas e o Marido não, porque eu sou mãe (leia-se mulher). Nossas atividades estão  estabelecidas na exatidão de nossos gêneros.

Mulher não se toca, não descobre o próprio corpo, enquanto que os garotinhos, não. Desde bebês os meninos descobrem seus pintinhos e os manipulam, causando risadas nos pais, mas se a menina manipula sua vagina, ah, não, isso não pode. Isso é feio!

Estamos em pleno século 21 e nós mulheres somos massacradas com regras comportamentais que se analisadas remontam a idade média. Não precisa muito para algum boçal desenterrar a teoria de que a mulher nos fez perder o paraíso. Eu perco o sono com isso. Quando isso irá acabar?

Já disse ao Marido que se a Marcela quiser um carrinho para brincar, eu darei. Que vou evitar ao máximo dar a ela mini cozinha, mini tábua de passar e ferrinho, pois quero que ela brinque sem pensar que tal brincadeira é pra meninos e outra pra meninas. Não sei se conseguirei, ou se esta ideia só a fará sofrer na busca da igualdade relativa. Mas isso somente o tempo dirá.

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