Não querido leitor, você não se enganou com o título. E antes que me pergunte, eu também não gostei dele, porem era o único nome apropriado para a aberração que eu li no Facebook. Gente dita de bem, gente que eu conheço, gente dita cristã, todos afirmando com orgulho que a chacina ocorrida no Jacarezinho foi uma faxina.
Eu questionei qual o sentido de faxina eles deram a declaração, mas até agora ninguém se manifestou. A impressão que eu tive foi que eles estavam comemorando as mortes, que elas teriam sido providenciais para "limpar" a sociedade dos bandidos. Trata-se do pensamento anticristão que acredita e divulga que "bandido bom é bandido morto". A mesma filosofia propagada e adorada pelo atual presidente da República, o Jair Bolsonaro, cuja doutrina cristã que ele acredita eu não sei de onde tirou.
Lendo os comentários eu senti dor, piedade, asco, ânsia, medo, foi tudo uma mistura que me embrulhou o estômago. Na entrevista coletiva a polícia do Rio de Janeiro quis justificar a sua ação dizendo que existem organizações que pactuam com o crime organizado e que eles precisavam reestabelecer quem é a autoridade. Muito bem, mas aí eu pergunto, a polícia deve entrar no Atakadão Atakarejo, na Bahia, chutando a porta ou atirando? Afinal, a meu ver, é um comércio que com certeza pactua com o crime organizado, já que entregaram os dois rapazes que furtaram para traficantes "fazerem justiça" e esta não foi a primeira vez.
Você deve estar pensando: que exagero, que distorção. O discurso do policial carioca foi "nós somos a lei, nós cumprimos a lei e quem não se opõem a bandidagem está do lado deles". Um discurso simplista, um discurso generalista. Eu fiz a comparação porque subir favela atirando é aceitável, como se todos os moradores fossem bandidos, e entrar atirando no comércio que certamente pactua com bandidos é absurdo.
"Ah, mas Nilka, estes que morreram tinham passagem pela polícia!" Certo, tinham passagem, não eram réus primários, vou usar a resposta de uma das mães dos rapazes assassinados na Bahia, ela disse: "meu filho errou, mas matar..." Para mim esta ação policial no Rio de Janeiro mostra o quanto o Estado tem falhado. Falha em falta de infraestrutura, falha em políticas sociais, falha com a comunidade e porque não dizer, falha com a própria polícia.
Até que ponto estamos certos ao querermos exterminar o problema? Somos melhores/piores? Este raciocínio não nos levará a pensar em raças superior e inferior? O resto vocês sabem onde vai chegar.