sábado, 6 de março de 2010

2ª Idade


Você sabe que está ficando velha quando alguém lhe chama naturalmente de Senhora, ou Senhor dependendo do caso.
Isto me aconteceu em um domingo em que eu estava me dirigindo a cidade de Regente Feijó, onde reside meu amigo, Cristiano César de Moura. Quando cheguei no terminal encontrei uma moça com os cabelos negríssimos, tentando ficar lisos, calças jeans dobradas nas barras (ela era pequena), tênis estilo All Star e um jeitinho que pensei: "Eu acho que é Emo!"
Se ela estivesse calçada com um All Star eu teria certeza: "É Emo!". Mas sem este acessório fiquei na dúvida.
Como sou mais curiosa que um Gato, fiquei procurando motivos nela para puxar papo. Olhei ela de cima a baixo. Isso não foi difícil pois, como já disse, ela era pequena. Era só olhar pra baixo rsrsrsr.
Finalmente achei. Ela também tinha um celular Black Safira da LG (conselho: não comprem este celular e se receberem de presente, acerte a cabeça do Infeliz, eu autorizo). Continuando.
Perguntei a ela se o celular estava funcionando bem e a resposta foi óbvia... NÃO! Ele já tinha dado problema tanto de estrutura quanto de sinal. Simplesmente desligava na cara das pessoas. Normal pro Black.
Neste momento me veio a verdade nua e crua. Ela me perguntou: "A Senhora vai pra Regente?" Eu simplesmente esbocei um sorriso sincero (sorriso e não rosnada), inspirei azul e expirei vermelho e respondi com um "Sim" amarelo.
No ônibus a minha colega de jornada escolheu um banco duplo e aceitou compartilhar a viagem comigo. Ela é uma pessoa interessante, faz violão clássico! Eu nunca imaginaria isso. Depois de achar que ela era Emo, meu próximo estereótipo seria: "É Metaleira".
Perguntei-lhe de suas bandas prediletas e pasmem... "Não era Metaleira". Mas que coisa, não dei uma dentro! Ela deu muita risada quando eu disse que tinha certeza de sua Emocidade...
Após conversarmos sobre Vestibular, faculdades e outras amenidades, embarcou no ônibus um amigo dela, que ela não apresentou... Outro indício de que estamos ficando velhos. Isto pra mim quando eu tinha 16 anos era totalmente dispensável, mas agora...
Antes de chegar a minha parada, ofereci meu lugar ao amigo de Kelly. Esse é o nome dela. Não apresentei antes, pois é totalmente nada a ver (convenci?). Continuando. Ofereci meu lugar, agradeci a conversa e lhe desejei boa sorte em seus projetos. Neste momento o amigo me olhou com cara de quem olhava o E. T. do filme da década de 80 (com certeza ele nasceu em 90) e perguntou a ela: "Projetos? o que é isso?" Kelly se encarregou de lhe explicar, já que pra mim era hora de descer...