segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Ser mãe - O parto

Ninguém nos ensina a ser mãe e por isso eu me sinta tão perdida e errônea. Nada de manuais, cursinhos ou dicas rápidas. Você pega uma informação aqui e oura lá, muitas delas você as considera bizarras e descarta, outras até que fazem sentido.

No dia 13 de junho eu ganhei este "cargo". Agora sou mãe! Já na preparação para o parto eu percebi que estava adentrando a um campo de guerra. A sonda incomodava, fazia frio, fui para a sala de parto andando, segurando a bolsa de urina. Fiz pose de quem estava com uma bolsa de grife e não um saco de mijo, fazer o que? Para piorar eu usava aquele modelito totalmente aberto atrás.

A sala era mais fria ainda. O médico-gato pediu para colocar música, tive ímpetos de dizer: "Desde que não seja sertanejo ou funk, tudo bem doutor!". Aceitei, afinal, era constrangedor estar sentada na maca de cirurgia, assistindo a todo o preparativo e de bunda de fora. Primeira música que tocou foi Freddie Mercury e Montserrat Caballe, How can I go on. Amei! Eu me atrevi a cantarolar uns trechos.

Como é horrível a anestesia na coluna! Sim, meu parto normal foi cancelado por motivos físicos. Após estar anestesiada a sensação que tive era que alguém gordo havia sentado no meu peito. Eu simplesmente não conseguia respirar. O anestesista disse que a sensação ruim sumiria assim que o bebê nascesse. Foi verdade.

Pude ouvir o choro forte de Marcela. Mesmo quando a levaram para as devidas medições e para lhe agasalhar, bem lá longe, eu consegui ouvir ela chorando. Pensei comigo mesma, que garganta. O segundo pensamento foi, como eu conseguirei aguentar este choro tão dolorido sem chorar junto?

Já no quarto, devidamente orientada a não levantar a cabeça, aguardei a vinda do meu bem mais precioso. Na primeira noite ela dormiu comigo, eu não dormi. De um em um minuto eu colocava o dedo indicador embaixo do nariz dela, para ver se ela estava respirando. Creio que toda mãe faz isso.

Na segunda noite eu conheci o desespero. Marcela não parou de chorar. Ela quis mamar a noite toda. Só se acalmava no meu peito. E eu dormindo sentada só pensava que alguém poderia me acudir, pois para mim ela estava com algum problema, fora o medo de acabar dormindo e derrubando-a no chão. A noite foi tensa.

Depois de muitas horas, o Marido me lembrou que não havíamos trocado a fralda dela. Ele alega que ela parou de chorar quando foi limpa. Eu não me lembro disso. Mas como estava duas noites viradas, minha percepção não era confiável. Eu simplesmente deixei minha filha cagada! Este foi o primeiro sentimento de que sou uma mãe horrível. Sabe a propaganda da Claro que está passando na televisão!? Então: "Nilka, a pior mãe de todos os tempos..." E esta sensação está em mim até hoje e creio que não vai sair nunca.

Passado isso, uma enfermeira, ou auxiliar, não sei, entrou no quarto um dado momento e disse que eu teria que acordar a Marcela de 03 em 03 horas, caso contrário ela teria hipoglicemia e desmaiaria. Eu me desesperei, como assim? Acordar de qualquer jeito?!! Como se faz isso? Cadê o manual dessa criança??

Eu sou mãe de primeira viagem. Tudo bem que estou velha, mas eu não sei dessas coisas. Eu comecei a chorar. Tive vontade de gritar minha mãe. Para minha alegria, outras profissionais vieram dar a mesma informação sobre as mamadas, mas nada de me ajudar a acordar minha filha. Uma disse para eu tirar a roupinha dela, ou apertar seu pezinho, que ela acordaria. Uma outra me disse que a segunda noite após o nascimento é a pior de todas. Ela disse isso no dia seguinte à noite fatídica!. Por que não me disseram isso antes? Não sei. Eu teria me preparado psicologicamente, pelo menos.

Tomar banho com um corte na barriga é terrível. Parece que a qualquer momento seu útero e tudo o mais vão cair no chão igual a escapamento frouxo de carro velho. Para piorar eu comecei a tossir, e por estar amamentando, nada poderia tomar a não ser mel e fazer inalação. Eu queria ir pra casa! Mesmo que eu apanhasse mais ainda com minha falta de trato de conhecimentos maternos, seria melhor estar no meu ambiente.

E isso era só o começo (To be continued)