segunda-feira, 24 de julho de 2017

Programa reencarnatório

Bom dia intrépidos leitores! Vou aproveitar que minha princesa ainda está dormindo para postar este singelo texto. Na semana passada eu liguei para minha mãe. Minha intenção era saber como ela faz sua sopa com caldo de feijão. Mesmo sabendo que ela não saberia dizer a quantidade, posto que, faz tudo "a zóio", resolvi arriscar e falar um pouco com ela.

Na ligação ela me contou um sonho que teve. Nele, minha irmã segurava um bebê pelado, minha mãe não soube dizer o sexo da criança e nem de quem ela/ele seria filha/filho. Eu lhe respondi que torcia para que fosse um sobrinho ou sobrinha.

Ela não foi a primeira pessoa a sonhar com bebês. Meu enteado sonhou que iria ganhar mais uma irmã. Minha irmã sonhou que brincava com um sobrinho. Santo Deus! Estou com medo. A maternidade é uma benção, mas a maternidade nos moldes machistas de nossos dias é insuportável.

Eu amo a minha filha e disso não tenho dúvidas. Já disse isso aqui e vou repetir por toda esta encarnação, e nas outras que virão também. Todavia, o início de nosso convívio me foi muito doloroso. A depressão pós parto, as crises de cólicas dela, a minha solidão, me marcaram de uma forma que eu realmente não tenho vontade de ser mãe novamente. Sim, eu sou covarde.

A falta da família por perto é muito ruim, mas sendo espírita eu me pergunto se não estaria descumprindo com o meu programa reencarnatório. Explico. Nós espíritas acreditamos que ao reencarnar os espíritos tem a chance de programar a sua reencarnação. Não que tudo, tudinho é pré-estabelecido, mas acontecimentos importantes, situações singulares de aprendizagem, podem ser estabelecidos antes de virem a ter no corpo de carne.

Claro que isso não acontece com todos, existem situações que o espírito não tem condições de estabelecer isso, mas não vem ao caso agora. Então eu me pergunto: será que ao me preparar para reencarnar na Terra eu teria escolhido meus pais, teria escolhido a cidade natal e também o número de espíritos que reencarnaria através de mim?

Desenhando: euzinha lá na colônia, com meu anjo de guarda, dando uma olhada na minha futura vida, e na hora dos filhos eu concordasse que eu teria que ser mãe de três crianças, por exemplo. Se eu tiver somente a Marcela, ao retornar para a Pátria Espiritual eu não teria cumprido o combinado.

Evidente que eu não estou excluindo o meu livre arbítrio, afinal, muitas vezes o espírito vem com uma tarefa e desvia do caminho, toma outras decisões. Se se faz algo melhor, nossa, quanto mérito, porem se faz algo errado, que desperdício de oportunidade. No espiritismo os espíritos sempre evoluem, ou estacionam, nunca regridem.

Eu sei que não vou depurar todos os meus erros nesta encarnação, que a jornada é longa, entretanto, eu não gostaria de decepcionar meu anjo de guarda, eu realmente gostaria de chegar do outro lado com as minhas grandes pequenas vitórias. Quando Deus me questionasse o que fiz dos filhos Dele que Ele me confiou, queria Lhe responder, com o coração em paz, que eles receberam o meu melhor. Mas como se constantemente eu me sinto em débito com a Marcela?


sábado, 15 de julho de 2017

Rapidinha - machismo nosso de cada dia

Você que lê este blog, deve pensar que somente homens são machistas, ledo engano, caro leitor. Dá uma olhada nessa matéria aqui:

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/delegado-afasta-tortura-e-diz-que-caso-de-jovem-obrigada-a-andar-nua-por-barretos-foi-motivado-por-vinganca.ghtml

Gostou? Uma mulher é traída pelo marido e o que ela faz? Tira satisfação com ele? Dá uma surra nele? Quebra o carro dele? Não!! Ela tortura e expõe a amante!

É correto ter caso extraconjugal? NÃO! Mas quem tem que respeitar a PORRA do casamento? Quem é casado!! Nossa, como sou inteligentona. Puta que pariu, quando nós mulheres vamos deixar de ser BURRAS!??

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Agora você é mãe

Não sei o que acontece comigo. Ultimamente uma revolta e uma insatisfação têm sido companhias constantes e eu sinto como se quisesse mudar, mas não tivesse forças. Mais uma vez comentei acerca de minha depressão pós parto, e mais uma vez fui vista como a louca que jogará a filha do pontilhão, ou a abandonará em uma caçamba.

Novamente eu tive que explicar que minha relação com a Marcela é boa. Eu sou impaciente, mas minha filha não corre risco algum estando comigo. Eu a amo! Eu só não estou conseguindo ser a mãe dos padrões machistas de nossa sociedade atual, só isso.

E como temos machismo nesse mundo. Minhas queixas na psicóloga são sempre as mesmas, estou ficando farta delas. Já comentei que estou afim de arrumar umas tretas na rua, para tentar mudar o enredo das sessões.

Mas o povo não me dá trégua! Outro dia em uma audiência de pensão alimentícia, eu advogada da menor, ouvi do pai que "quando as filhas estavam com ele, elas iam pra escola, mas quando foi morar com a mãe deixaram de estudar e arrumaram filho" Oi!???

Então, senhor pai modelo, quando as garotas estavam com você elas eram estudantes com um futuro e eram VIRGENS, e depois que foram morar com a mãe tudo virou Sodoma e Gomorra?? Francamente! Minha vontade foi de socar a cara daquele cretino. Só de lembrar dele, eu sangue ferve.

E meus dias tem sido assim, 24 horas e sete dias de trabalho dedicados a Marcela e as pessoas me olhando como se eu estivesse em constante folga. Muitas vezes eu nem lembro em que dia da semana estou. Vejo o povo compartilhando "Oba, hoje é sexta-feira" e penso, de que isso me adianta? A Marcela não tem noção disso.

Eu me sinto tão cansada e tão aquém do que eu deveria ser que me pergunto se realmente eu deveria ter sido mãe. E é aqui que minha depressão pega pra valer. Eu me sinto uma fraca, uma incompetente, eu acredito com todas as forças que a minha filha estaria melhor com outra mãe.

No final do dia eu só quero ficar quieta em um canto, sem falar com ninguém, sem escutar o quão errada eu sou, o quanto eu tenho que melhorar aqui e acolá. Muitas vezes eu só queria que alguém me abraçasse e dissesse: você está indo bem. Vai melhorar!

Eu já comentei em sessão que eu me sinto enjaulada. Eu me sinto uma fera, machucada e enjaulada, tento que atacar para se defender. As pessoas não olham para mim, elas não me veem mais. Por ser mãe, a mulher, a rotariana, a advogada, a atriz sumiram, simplesmente não existem mais.

Será que isso passa? Será que esta luta um dia vai ter final?