Bom dia intrépidos leitores! Vou aproveitar que minha princesa ainda está dormindo para postar este singelo texto. Na semana passada eu liguei para minha mãe. Minha intenção era saber como ela faz sua sopa com caldo de feijão. Mesmo sabendo que ela não saberia dizer a quantidade, posto que, faz tudo "a zóio", resolvi arriscar e falar um pouco com ela.
Na ligação ela me contou um sonho que teve. Nele, minha irmã segurava um bebê pelado, minha mãe não soube dizer o sexo da criança e nem de quem ela/ele seria filha/filho. Eu lhe respondi que torcia para que fosse um sobrinho ou sobrinha.
Ela não foi a primeira pessoa a sonhar com bebês. Meu enteado sonhou que iria ganhar mais uma irmã. Minha irmã sonhou que brincava com um sobrinho. Santo Deus! Estou com medo. A maternidade é uma benção, mas a maternidade nos moldes machistas de nossos dias é insuportável.
Eu amo a minha filha e disso não tenho dúvidas. Já disse isso aqui e vou repetir por toda esta encarnação, e nas outras que virão também. Todavia, o início de nosso convívio me foi muito doloroso. A depressão pós parto, as crises de cólicas dela, a minha solidão, me marcaram de uma forma que eu realmente não tenho vontade de ser mãe novamente. Sim, eu sou covarde.
A falta da família por perto é muito ruim, mas sendo espírita eu me pergunto se não estaria descumprindo com o meu programa reencarnatório. Explico. Nós espíritas acreditamos que ao reencarnar os espíritos tem a chance de programar a sua reencarnação. Não que tudo, tudinho é pré-estabelecido, mas acontecimentos importantes, situações singulares de aprendizagem, podem ser estabelecidos antes de virem a ter no corpo de carne.
Claro que isso não acontece com todos, existem situações que o espírito não tem condições de estabelecer isso, mas não vem ao caso agora. Então eu me pergunto: será que ao me preparar para reencarnar na Terra eu teria escolhido meus pais, teria escolhido a cidade natal e também o número de espíritos que reencarnaria através de mim?
Desenhando: euzinha lá na colônia, com meu anjo de guarda, dando uma olhada na minha futura vida, e na hora dos filhos eu concordasse que eu teria que ser mãe de três crianças, por exemplo. Se eu tiver somente a Marcela, ao retornar para a Pátria Espiritual eu não teria cumprido o combinado.
Evidente que eu não estou excluindo o meu livre arbítrio, afinal, muitas vezes o espírito vem com uma tarefa e desvia do caminho, toma outras decisões. Se se faz algo melhor, nossa, quanto mérito, porem se faz algo errado, que desperdício de oportunidade. No espiritismo os espíritos sempre evoluem, ou estacionam, nunca regridem.
Eu sei que não vou depurar todos os meus erros nesta encarnação, que a jornada é longa, entretanto, eu não gostaria de decepcionar meu anjo de guarda, eu realmente gostaria de chegar do outro lado com as minhas grandes pequenas vitórias. Quando Deus me questionasse o que fiz dos filhos Dele que Ele me confiou, queria Lhe responder, com o coração em paz, que eles receberam o meu melhor. Mas como se constantemente eu me sinto em débito com a Marcela?
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