Não sei o que acontece comigo. Ultimamente uma revolta e uma insatisfação têm sido companhias constantes e eu sinto como se quisesse mudar, mas não tivesse forças. Mais uma vez comentei acerca de minha depressão pós parto, e mais uma vez fui vista como a louca que jogará a filha do pontilhão, ou a abandonará em uma caçamba.
Novamente eu tive que explicar que minha relação com a Marcela é boa. Eu sou impaciente, mas minha filha não corre risco algum estando comigo. Eu a amo! Eu só não estou conseguindo ser a mãe dos padrões machistas de nossa sociedade atual, só isso.
E como temos machismo nesse mundo. Minhas queixas na psicóloga são sempre as mesmas, estou ficando farta delas. Já comentei que estou afim de arrumar umas tretas na rua, para tentar mudar o enredo das sessões.
Mas o povo não me dá trégua! Outro dia em uma audiência de pensão alimentícia, eu advogada da menor, ouvi do pai que "quando as filhas estavam com ele, elas iam pra escola, mas quando foi morar com a mãe deixaram de estudar e arrumaram filho" Oi!???
Então, senhor pai modelo, quando as garotas estavam com você elas eram estudantes com um futuro e eram VIRGENS, e depois que foram morar com a mãe tudo virou Sodoma e Gomorra?? Francamente! Minha vontade foi de socar a cara daquele cretino. Só de lembrar dele, eu sangue ferve.
E meus dias tem sido assim, 24 horas e sete dias de trabalho dedicados a Marcela e as pessoas me olhando como se eu estivesse em constante folga. Muitas vezes eu nem lembro em que dia da semana estou. Vejo o povo compartilhando "Oba, hoje é sexta-feira" e penso, de que isso me adianta? A Marcela não tem noção disso.
Eu me sinto tão cansada e tão aquém do que eu deveria ser que me pergunto se realmente eu deveria ter sido mãe. E é aqui que minha depressão pega pra valer. Eu me sinto uma fraca, uma incompetente, eu acredito com todas as forças que a minha filha estaria melhor com outra mãe.
No final do dia eu só quero ficar quieta em um canto, sem falar com ninguém, sem escutar o quão errada eu sou, o quanto eu tenho que melhorar aqui e acolá. Muitas vezes eu só queria que alguém me abraçasse e dissesse: você está indo bem. Vai melhorar!
Eu já comentei em sessão que eu me sinto enjaulada. Eu me sinto uma fera, machucada e enjaulada, tento que atacar para se defender. As pessoas não olham para mim, elas não me veem mais. Por ser mãe, a mulher, a rotariana, a advogada, a atriz sumiram, simplesmente não existem mais.
Será que isso passa? Será que esta luta um dia vai ter final?
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