Anteontem faleceu um tio do meu Marido, fomos ao velório e enterro. Eu não gosto nem de velórios e muito menos de enterros. Sempre evito ir apesar de soar falta de consideração. Não vou ao cemitério nem em Finados, mas vá lá, não podia fazer esta "desfeita" ao Marido.
No velório conheci algumas primas dele. A família aqui em Maracaí é grande! Uma delas disse que sou uma gata...curti esta prima. No mais foi aquilo de sempre. Próximo ao caixão a família mais condoída, e gradativamente se afastando do falecido a tristeza se diminui, até chegar a fatia dos piadistas. Eu fiquei na segunda camada.
Eu não sei porque não gosto disso, me lembro de pequena ficar intrigada com o meu primeiro velório. O corpo lá, forrado de flores como se dormisse e algo que até hoje me incomoda...as pessoas passando as mãos no falecido. Descobrem o véu, acariciam as mãos, até aí tudo mais o menos, beijam a testa, alisam o rosto, eu me incomodo. Tenho quase certeza que me tentaram fazer tocar em alguém desencarnado e tive medo disso, só pode.
Não estou aqui para criticar quem o faz, creio que a necessidade do último toque, de se prolongar mais a presença de quem já se foi, faz com que os parentes ajam assim. Entretanto quero que alguém me explique por que as pessoas chegam aos pés do caixão, tocam o corpo e fazem o sinal da cruz??? É um ritual que fazem como se fosse uma comprovação de que estiveram lá. Eu me limitei a rezar.
Na hora de fechar o ataúde, a esposa sofreu muito, sai de perto porque estava com um nó na garganta e começaria a chorar com ela. No entanto eu percebi algumas pessoas se achegando, não para socorrer ou enxugar as lágrimas, mas para ver a dor daquela mulher. Era algo meio mórbido. Eles esperavam que ela sofresse e se possível até passasse mal. Não estou exagerando, é sério! Dava pra ver quem estava ali pra consolar e quem estava para apreciar.
Acompanhamos o corpo até o cemitério a pé, pois este não fica longe do velório. Era um Sol pra cada "velante". O Marido tentava pegar carona nas sombrinhas das tias. Disse a ele para desistir porque elas são bem menores que ele, a não ser que ele segurasse a proteção. Foi o que o danado fez no campo santo, veio com uma conversinha do tipo: "estica o braço tia, quer que eu segure a sombrinha pra senhora?..." A tia era esperta e a mamata dele não durou.
Um comentário do meu Marido me pareceu estranho. Ele ressaltou que a sepultura do tio era perto da sepultura de seu pai. Que aquele fez questão de ser enterrado perto deste. Como assim? Tipo escolher a vizinhança? Ah, é mesmo! Eles são católicos! Deve ser algo em estar por ali enquanto dura o descanso antes do juízo. Bem, eu acho.
Já avisei o Marido. Nada de me velar a noite inteira e se o for fazer, deixar a roda de piada ao lado do meu "corpitcho desalmado". Quero ser cremada e nada de flores sobre mim, as coitadas não fizeram nada para morrer comigo. Taca um lençol simples e ao invés das coroas, doem o dinheiro a alguma instituição de proteção aos animais, tais como AuAu Miau. Eu não vou estar acompanhando o meu velório...a não ser que as piadas sejam boas.
Na lápide coloquem a seguinte inscrição: Fui a Colônia, volto já!
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