Um poema do meu amigo Sérgio, o Dindo. Poeta é outra coisa.
aqui preso em lençóis de vontades amarrotadas
peço que espere por mim, haja o que houver,
mesmo que eu não mereça, que eu desmereça
essas inutilidades por razões mil de males, o menor.
a maior causa de um pedido não é a necessidade
a espera na estação não tem mais o próximo trem
as cores primas não têm colorido as meninas dos meus olhos...
tudo faz sentido quando não se presta atenção na pressa humana
tudo é tempo perdido quando se quer ter tudo nos foge às mãos.
aqui preso no leito de um rio seco, em que as vacas magras
edificam-se em trilhas rastros úmidos de lágrimas,
cada saudade minha contém uma vaca sedenta, esfomeada de dentro pra fora
e há muito se esqueceu de que Deus é miragem que morre no próximo horizonte.
aqui preso em lençóis de vontades amarrotadas
o leito de cada rio me enche a boca de palavras doces
e assim como queixos melados de goiabadas
meus beijos esperam por ti, haja o que houver
numa viagem inesperada.
(Sérgio Edvaldo Alves)
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