domingo, 16 de outubro de 2016

Ser mãe - depressão pós parto

Já vou avisando aos fracos de coração, se quiser ler uma narrativa romântica sobre a maternidade, por favor, vá a outro blog, pois aqui a coisa não será como se imagina. "Ser mãe é padecer no paraíso". O autor desta frase é homem com certeza, porque não imagina a dor, a solidão e as lágrimas que forjam uma mãe.

Eu acho que já comentei que ao receber a Marcela nos braços a primeira coisa que pensei foi: FUDEU. Eu não sei lidar com isso. Eu não vou dar conta. Eu não sou mãe de verdade. E agora? O que eu faço? Tem como devolver?

Eu chorei todos os dias depois que tive a minha filha. Um sentimento de impotência, de imperícia e até mesmo de incompetência se apossou de mim. Eu quase ficava paralisada de medo. Some a isso diversas histórias e lendas sobre descuido com a maternidade, temos por resultado uma depressão pós parto, mas até então eu não sabia disso.

Eu tinha tanto medo que adorava quando anoitecia e minha filha iria dormir e eu poderia me recompor emocionalmente. A única coisa que eu imaginava estar "mandando bem pra cacete" era a amamentação. Eu tinha tanto leite que estava empedrando e daí surgiu mais uma preocupação: mastite.

Um dia fui parar no hospital para aprender a me ordenhar. Isso mesmo, eu precisava me ordenhar porque a Marcela não conseguia dar conta de tanto leite e minha mama estava com febre. Nem sabonete eu passava nos bicos dos seios para não rachar. Mesmo assim, o seio direito estava machucando, e doía muito com a sucção dela, apesar disso me era prazeroso amamentá-la.

Passados 20 dias de nascida, depois de participarmos de uma reunião do Rotary meu bebê teve sua primeira crise de cólicas. Era mais uma peça para se juntar a minha doença. Ela urrava de dor e nós não sabíamos o que fazer. Fomos dormir as 4 da manhã.

Passamos a dar tudo o que nos indicavam. Funchicórea, chá de camomila, Colic Calm, Collikids etc. Sendo que o tal Colic Calm é um remédio americano que custa mais de R$ 160,00. O primeiro vidro eu ganhei de uma amiga querida. O Collikids custa em torno de R$ 60,00. Todavia todos eles são paleativos. Infelizmente só o tempo para curar.

As cólicas acontecem porque o intestino dos bebês não estão amadurecidos e após 3 meses as coisas normalizam. Você caro leitor não imagina quanta inveja eu senti das mães que diziam que seus filhos não tiveram cólicas.

De início eu me desesperava junto, depois passei a sentir raiva. Raiva de Deus, raiva da Marcela, raiva da minha vida. Eu me senti sozinha em meio ao furacão sem perspectiva de melhora. Meu marido ficava bravo comigo porque eu sempre dizia que as coisas não iriam melhorar.

Passei a fazer contagem regressiva para os três meses e intensifiquei a minha dieta. Minha menina teria cólicas, isso era fato, mas dependendo do que eu comia, as crises eram mais ou menos intensas e duradouras.

Ela chorava de dor e me olhava no fundo dos olhos, me pedindo socorro e eu nada conseguia fazer. Eu não tinha estrutura emocional para acalmar a minha filha. Minha dieta foi criticada, meus medos foram criticados e os problemas que já existiam antes do dia 13 de junho vieram a se somar com os problemas pós parto.

(continua)

3 comentários:

  1. É isso. Sem tirar uma vírgula...Marina teve colícas terríveis, meus seios sangraram...quando ela aproximava a boquinha faminta eu chorava de desespero pq sabia que ia doer muito.A cicatriz permanece no meu mamilo, e já fazem 14 anos. Tbm tive que armazenar o excedente de leite, sorte que pude doá-lo.
    O que posso te dizer minha amiga? Com a minha filha conheci o maior dos desesperos e a maior força pra superar. Tem sido assim...
    Beijos pra vocês duas.

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  2. mesmo com dor eu amo dar de mamar para a Marcela. É o nosso momento mágico. Bjos

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