Dia desses eu fui ao supermercado aqui em Maracaí. Comprei coisas básicas pra casa. Uma coisa que desde adolescente eu quis fazer quando tivesse a minha casa, fosse ela com marido ou sem, era fazer um estoque mensal de carnes no congelador. Parece meio prosaico, mas é uma economia e um aproveitamento de tempo. Quando cheguei no caixa percebi que apenas dois estavam funcionando, um deles era aqueles com quantidade máxima de itens. Eu me preparei psicologicamente para esperar uma eternidade.
A minha frente estava um senhor de idade bem avançada. Ele estava bem acima do peso, usava aparelho auditivo e um carrinho com muito pão doce, roscas e outras guloseimas que me fez engordar só de olhar. Quando ele começou a colocar no caixa sua compra da maneira mais lenta possível, meu lado preconceituoso logo reclamou uma frase que não me atrevo a repetir. Sim, eu tenho preconceitos, sinto inveja e falo mal dos outros, como qualquer espírito pequeno encarnado nesta Terra.
Um caxa abriu ao lado e é lógico que eu não consegui mudar para ele. Resolvi ficar calma e aguardar. De nada adiantaria me estressar. Cantarolei, cobicei as broas doces do senhorzinho e me perguntei: Como serei eu na idade dele? Minha mãe sempre me chamou de chata como uma velha gagá. Será que ficarei pior? Sabe como são as mães. Elas predizem ou amaldiçoam, dependendo do ângulo de visão.
Será que na idade dele um jovem vai pensar: "o que esta velha está fazendo aqui? por que não ficou em casa?" Será que serei considerada um estorvo? Quando eu era mais jovem, antes dos 30 anos, eu não queria envelhecer, até pensava em desencarnar antes disso, pois pra mim ser velho era a morte em vida, sem beleza, sem viço e sem novidades. Como eu era cretina!
Não tenho tanto medo de envelhecer, agora eu temo ser doente, desenvolver alguma patologia degenerativa, ou pior, ser doente sem ninguém por mim. Aquele senhor tão tranquilo me fez confrontar meus medos, meus fantasmas e eu nem sei seu nome.
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