quinta-feira, 24 de julho de 2014

Meu rabinho torto e funcional incomoda - Parte 2

Uns tempos atrás eu estava tranquila em casa quando todo o ambiente foi invadido por uma fumaça espessa, negra e fétida. Tinha mais ou menos o mesmo cheiro de pneu queimado. Corri para o fundo do quintal porque pensei que a casa da vizinha estava pegando fogo.

Nada disso estava acontecendo, graças a Deus. Era o dono da casa testando um motor ferrado de um carro bem na garagem. Este produzia a tal fumaça horrorosa, que era canalizada pelo cômodo onde se encontrava, e direcionada a minha casa.

Pedi educadamente mas não amorosamente, quem me conhece sabe, para que ele parasse ou fizesse o tal teste na rua. Passado o episódio, voltei a minha rotina normal. Esta semana eu já havia pendurado algumas roupas no varal, quando a mesma vizinha começou a queimar algo em seu quintal.

Ela sempre faz isso. Semana sim, semana não as minhas roupas, as toalhas de banho ficam com cheiro de queimado por causa dessa mania piromaníaca que a vizinha tem. Eu nunca lhe disse nada. Percebi que a fumaça saía de um fogão a lenha. Resolvi ser diplomática e aguardei ela surgir no quintal para uma negociação. Afinal, eu não estava interessada em estragar o cozimento dela. Eu também tenho vontade de ter um fogão a  lenha em casa.

Como ela não aparecia, decidi chamá-la. Eu a cumprimentei cordialmente e lhe perguntei se ela estava usando um fogão a lenha. A mulher já virou um bicho comigo. Respondeu que sim e disse que estava torrando torresmo ou algo assim.

Eu lhe perguntei, com a voz mais doce que sei fazer, se ela continuaria usando o tal fogão. Ela já começou a me ofender, disse que sou "muito reclamona", que eu reclamo de tudo, que a casa era dela e que onde eu morava não era meu, que eu cheguei depois, que NUNCA ninguém havia reclamado dela, que eu só fico "reclamano" ...

Eu nessa fiquei atordoada, perguntei quando eu havia reclamado de outra coisa. Aí ela desenterrou o episódio do carro fedorento. Eu, em vão, tentei dizer a ela que estava querendo saber quando ela "desligaria" o fogaréu, que eu aguardaria tudo terminar para pendurar as roupas no varal. Eu tentei fazer isso, não consegui.

Aqui ela me tirou do sério. Disse que reclamaria com a dona da casa, que eu não tinha o direito de falar nada já que a casa não era minha, que a casa onde vive é dela, que ela ergueria o muro bem alto pra eu não ficar "reclamano" e que eu deveria morar no meio do mato, sem ninguém em volta, assim não ficaria incomodada. Perdi a paciência e disse que ela deveria morar no meio do mato, assim poderia botar fogo onde bem entendesse.

Sai de perto e ela continuou ameaçando "reclamar com a dona da casa e que eu não continuaria a morar aqui etc..." Limitei a gritar para que fizesse isso, mas minha vontade era de gritar em plenos pulmões (aconselho os cardíacos e aos sensíveis não lerem isso): "Sua velha piromaníaca dos infernos, por que não bota fogo na (imaginação de cada um) e para de deixar a minha casa e as minhas roupas fedendo. Eu te aturo o dia inteiro gritando com sua neta, aturo o seu pinto piando chorosamente o dia todo, a sua neta gritando e ainda tenho que perder a lavagem de roupas porque você tem fogo em botar fogo. Vá pro diabo que te carregue. Velha @#$%¨&*. Eu prefiro ter um filho Viado, que um filho Véia"

Ufa, e aí, o que acharam? Um pouco agressiva? Não se preocupem, eu pensei isso tudo e mais um pouco, nada disse. Muitos vão me criticar, dizer que devo ter paciência e exercer a caridade Cristã. Entretanto, de acordo com a Igreja Católica Apostólica Romana, detentora de toda e única verdade de todo Universo, eu não sou cristã, então, não tenho porque.

Peço desculpa aos meus amigos católicos, mas até eu digerir isso, vou atazanar quem assim me classificou. Espero que este tenha sido o último episódio. Fico no aguardo.

2 comentários:

  1. Ê dureza...poxa é complicado...política da boa vizinhança tá difícil...tem coisas que te incomodam, mas vc quis resolver na base do diálogo, mas falou mais alto a lei do "eu cheguei primeiro".
    Onde eu moro é assim...sabe onde fica a Vila Angélica? É lá...moro de aluguel numa casa de um véinho gente boa, que faleceu a esposa e agora está morando na casa da filha. Os vizinhos adoram ele. E agora estamos nós, os intrusos. Meu vizinho usa o fogão de lenha e nossa roupa fica fedendo(ah, as vezes ele fuma maconha tbm)...a vizinha do lado nem bom dia fala, tbm nem perco tempo mais e quando lava os tapetes da casa dela pendura no muro que faz divisa com a gente, detalhe: o tapete fica inteiro pro nosso lado molhado, pingando sujeira, ouvem o lepo lepo o dia todo(ela tbm grita com o neto o dia todo)...no meu caso nem pensar chegar pra conversar, tento ao máximo evitar contato.
    Espero que passada a raiva(com razão) vc consiga se apaziguar com a sua vizinha, ou pelo menos q ela te respeite.
    Afinal, depois de um dia inteiro fora de casa no trabalho, buchas mil, tudo o que queremos é chegar em casa e ter paz, né?
    Boa sorte amiga, que vc tenha paciência, mas em pensamento mande-a para o raio que a parta, pois ninguém é de ferro.

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    1. está cada vez mais difícil. morar em uma cidade que não tem 15.000 habitantes?! que todo mundo se conhece e que você é e sempre será uma estranha...

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