A nossa personagem é do tipo comum. Sem grandes vícios ou virtudes. Não é feia e nem bela. É do tipo que passa despercebido em qualquer ambiente mesmo que alguém lhe dê um esbarrão. É PUM e pronto, passou! Ela é tão comum do povo que poderíamos chamá-la de Carla, Vanessa ou até Maria. Este último seria muito óbvio e uma discriminação. Chamá-la-emos de Cristina.
Cristina tem um emprego burocrático sem a estabilidade ou os vencimentos merecidos. Classifiquei-o assim porque todo dia ela faz à mesma coisa. Chega ao escritório geralmente às 07h: 55 min, ela varre todo o chão, e dia sim, dia não passa um pano úmido em desinfetante. Nos dias que não o passa, apenas varre, tira o pó dos móveis e lava os sanitários.
Ela não é sócia no empreendimento apesar de ter aceitado o emprego com a doce ilusão de sê-lo um dia. Desde que se use a classificação “emprego” não é sociedade, concordam? Um dia, que sabe...
Como eu estava dizendo, Cristina é uma moça pacata de estatura na média, ela calça um número mediano, cabelos castanhos do tipo comum, olhos também. Pra deixar de enrolação, ela é o típico Ser Humano Médio.
Naquele dia, porém a heroína desta história decidiu participar de um Concurso Cultural promovido pelo Supermercado do bairro. De princípio ficou um tanto reticente já que nunca ganhara nada na vida, entretanto, ela enfrentou seus receios e sapecou sete frases diferentes na urna. O julgamento seria no outro dia.
Pela manhã do dia seguinte toca o telefone. Que Maravilha, era uma funcionária do Supermercado comunicando que ela ganhara o Prêmio. Disse ainda que Cristina deveria buscá-lo munida de sua cédula de identidade. O que ela fez logo quando o expediente acabou. Felicidade era o nome de Cristina. Ela adentrou triunfante o estabelecimento como se todos já soubessem da novidade e por dentro vozes ovacionavam: “É ela! É ela! A vencedora!”.
Com grande satisfação e orgulho Cristina recebeu seu prêmio e com mais satisfação ainda leu sua frase vencedora, que dizia: “Seja Amigo do seu bolso! Carne boa e preço baixo só no Açougue do Supermercado XXXX”.
E lá se foi a Vencedora. Equilibrando nos braços já ocupados os 1 kg e 96 g de linguiça toscana fabricação da casa, e a garrafa de dois litros de refrigerante, de uma empresa da cidade. E ela foi cheia de si, pensando: a Super Sena acumulou! O que compraria com o dinheiro?... Quem ela demitiria do Seu Escritório?... À Vencedora...
Ai... que breve felicitação, que breve perspectiva, que breve sonho. Essa Cristina é humana demais. Me dá até um frio no peito.
ResponderExcluirMuito onda o como ela é, ameii *.*
ResponderExcluirTambém gostaria sugerir um nome para a vítima do próximo conto: Adrianessa para ela; Rodrinaldo para ele.
ResponderExcluirSempre achei, esse o tipo de estória de uma pessoa mediocre e pobre de espírito, pois fui criado para sempre resolver proglemas, progredir, crescer... o céu é o limite. Mas com o tempo, aprendi que como humanos, precisamos das outras pessoas ao nosso lado, dessas pequenas alegrias, amar e nos sentir amados, afinal, a vida é feita de momentos (que deveriam ser, em sua maioria, bons momentos) e não de conquistas pela conquista.
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